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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Não são só 25 milhões querendo trabalhar mais. São 50 milhões fora da roda da economia.

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Fernando Brito
Os números divulgados hoje pelo IBGE, mostrando que 22,2% da força de trabalho potencial do país está desempregada, subutilizada (quer trabalhar mais e não consegue) ou que desistiram de procurar trabalho, ficam muito mais expressivos se os convertemos no que são: gente. Mais precisamente 24,3 milhões de pessoas. Se cada uma delas, em média, tenha de prover um dependente, isso dá 50 milhões de brasileiros sem renda, exceto as de Bolsa-Família e assemelhadas ou renda muito abaixo da que poderiam ter para viver.
Sei que nos acostumamos à tragédia social e cada vez menos nos escandalizamos com números apavorantes assim, ainda mais quando se considera que quase um quarto daqueles 24,3 milhões entraram nesta condição só no ano de 2016. Se pensarmos em 2014, quase a metade ingresou nessa situação de pária social deste então.
Hoje, em sua coluna na Folha, a economista Laura Carvalho explica que, sem consumo, não haverá o investimento privado no qual o o governo Temer aposta para retomar o crescimento. Ela diz o evidente – e, ainda assim, ignorado – : que empresas “que operam com capacidade ociosa não encontram razões para ampliar sua capacidade além da existente. Uma retomada dos investimentos tem de ser antecedida por um aumento das vendas, que por sua vez depende de algum fator autônomo de injeção de demanda”.
Investimento público não será: estamos na Igreja dos Santos Cortes Orçamentários, o tal dever de casa que todos exigem.
Os números do IBGE mostram que da ponta do consumo também não virá: como expandir consumo com um quarto dos “empregáveis” desempregado ou subempregado?E com um quarto da população, que – embora pobre – consome e poderia consumir mais.
Estes senhores economistas que idolatram o bem estar do santíssimo “tripé macroeconômico” saúdam a queda da inflação que a retração da demanda causa, saúdam o câmbio irreal que ajuda a reduzi-la e comemoram a possibilidade que uma reforma previdenciária que condene os que trabalham a irem trabalhando até o pé da cova, ou que muitos vão mesmo direto para ela, porque , com este quadro de desemprego e “bicos”, quem irá completar 25 anos de contribuição, mesmo sendo contemporâneo de  Matusalém.
Não existem caminhos alternativos para o Brasil voltar a crescer, a não ser o da inclusão. Ou melhor, não existe outro que não nos leve á barbárie, a termos contingentes imensos numa vida selvagem, que volta e meia explode num presídio remoto.
Durante o Carnaval, publicarei aqui um estudo que mostra que isso é possível, já aconteceu em nossa história, elevou nosso povo, muito embora tenha derrubado os governos que tentaram fazer este resgate.
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