terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Os parceiros Eike e Lula.

Carlos Andreazza, em O Globo, costurou trechos de “Tudo ou nada”, de Malu Gaspar, obra editada por ele em 2014, na Record.
Lula fora eleito, e havia uma dívida de campanha. A súcia seria direta: o partido precisava de dinheiro. Foi quando Eike Batista ouviu a expressão “empresário do PT” — e compreendeu que poderia ser um. Mais: entendeu que era necessário se tornar um. Um título comprável — e que consistia em investimento. Aquilo se converteu em meta. E ele doou. A maior parte por fora (…).
A Operação Eficiência, de 2017, talvez não existisse se Eike e Flávio Godinho tivessem sido pegos na Toque de Midas, de 2008, que desbaratou o esquema de corrupção armado, a partir de 2004, no governo de Waldez Góes, para que a MMX ganhasse a licitação da Estrada de Ferro do Amapá.
Para se proteger da ação da PF, a EBX contratou o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos. Quatro dias depois, como produto de uma reunião entre Lula, Gilmar Mendes, Tarso Genro e Nelson Jobim, anunciou-se um pacto por uma nova lei contra o abuso de autoridade; porque se atualizam os renans, mas a agenda permanece a mesma (…).
A parceria entre Eike e Lula se fortaleceria durante o governo Dilma, sobretudo em função do Porto do Açu, que abrigaria o estaleiro da OSX, mais uma empresa forjada artificialmente nos moldes da política de conteúdo nacional petista. Para tal fim, a reabilitação do Fundo da Marinha Mercante faria com que um empréstimo de 2,7 bilhões de reais desaguasse, em 2011, na conta da companhia.
O facilitador Amaury Pires, então diretor do Fundo, fora fundamental para que o financiamento saísse. Ele chamava Lula de “o instituto” (…).
Dilma visitou o Açu em abril de 2012. O Grupo X já estava quebrado, tragado pela insolvência da petroleira OGX, e só poderia ser salvo pelo mesmo governo que o inflara. Os tempos, porém, eram outros. Em seu discurso, ainda assim, a presidente definiu Eike como “tipo especial de empreendedor”, “que delimita o seu sonho de uma forma extremamente ambiciosa.”
Gestava-se o plano de convencer os cingapurianos da Jurong a transferir ao Açu o estaleiro que erguiam no Espírito Santo. Seria a última chance da EBX. Em janeiro de 2013, Lula — com Pires — visitou o porto de Eike. Dez dias depois, o facilitador telefonaria ao embaixador brasileiro em Cingapura pedindo que marcasse um encontro de Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, com os controladores da Jurong. Isto mesmo: um agente privado propunha a agenda de um ministro de Estado.
Dois dias depois, o próprio Pimentel telefonou. Na primeira semana de março, ele e Guido Mantega, como se representantes do Grupo X, receberiam diretores do estaleiro — e a operação só não foi adiante porque o conteúdo das tratativas vazou.
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