quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Sua Excelência, a prisão.

panopticon
Fernando Brito
O cartunista Renato Aroeira é um gênio que reduz a um desenho o retrato do que se passa no Brasil.
Muito se falou, com razão, do que significa de blindagem a Temer e de seletivização da Lava Jato a ida de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal.
Mas Aroeira conseguiu reproduzir o que ela representa para a noção de Justiça que se está construindo – eu sou um esperançoso por não achar já construída – em nosso País.
Não é apenas a ideia fixa de prender, prender, prender.
É tornar nosso próprio pensamento um prisioneiro.
Rancoroso, violento, pronto a chacinar, decapitar, carbonizar qualquer ideia que não seja da nossa “facção”.
Aliás, em algo pior que um prisioneiro.
Porque nem mesmo quer se libertar, não sabe mais viver fora das grades  e muros.
O Panopticon, prisão “perfeita” do jurista inglês Jeremy Bentham, onde um único vigilante observaria todos os prisioneiros, sem que eles soubessem se estão ou não sendo observados, os adaptaria a seguir o que seu vigilante desejaria como comportamento adequado, foi a base para Michel Focault desenvolver o seu “vigiar e punir” e, depois, para o filósofo Gilles Deleuze dizer que a vida era passar de uma prisão a outra, cada uma com suas regras:  a família, depois a escola, depois a fábrica, “de vez em quando o hospital, eventualmente a prisão, que é o meio de confinamento por excelência”.
Confinamento por Sua Excelência talvez seja um trocadilho apropriado ao momento.
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