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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Invadida três vezes, escola se abre à comunidade para combater violência.

Cartinha produzida por um aluno de 7 anos da Vila Kennedy
Estão roubando as crianças do Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) Noronha Santos, em Ricardo de Albuquerque. Só em 2017, a creche municipal foi invadida três vezes: duas para furtos e outra para vandalismo. A escalada da violência, nunca antes vista segundo a diretora Daniela Cordeiro, não desaminou a equipe pedagógica. Mas a reação foi no sentido oposto ao da raiva. Em vez de briga, amor: os pais dos estudantes foram convidados para irem mais à unidade e, assim, ajudar na tarefa de cuidar do espaço.
 Cartinha produzida por um aluno de 10 anos da Vila Kennedy
— A escola é de todos. É da comunidade. Os filhos deles estão aqui. Por enquanto, só aconteceu em fim de semana. Mas pode acontecer dia de semana, né? — diz Daniela Cordeiro.
 Crianças pedem paz no Alemão
A primeira ação foi a recuperação de um muro. Os galões de tintas foram doados e o mutirão foi promovido na última quinta-feira. Do lado de fora, as pequenas mãos das crianças foram marcadas na parede. Tudo para lembrar que, ali, é um lugar que deve ser preservado.
 Cartinha produzida por um aluno de 10 anos da Vila Kennedy
— Chamamos os pais para alertar desse problema. Para eles também cuidarem da escola. Eles abraçaram a ideia e estão ajudando nessa campanha — vibra a diretora.
O EXTRA mostra desde domingo o impacto da violência nas crianças da rede com cartinhas escritas por elas — as desta página foram feitas por alunos da Vila Kennedy.

Cartinha produzida por um aluno de 11 anos da Vila Kennedy
Cartinha produzida por um aluno de 11 anos da Vila Kennedy
Em Ricardo de Albuquerque, o próximo passo do EDI Noronha Santos é um novo muro que vai ganhar cores. Depois será a construção de uma horta. E mais o que a imaginação coletiva puder criar.

Cartinha produzida por um aluno de 9 anos da Vila Kennedy
Cartinha produzida por um aluno de 9 anos da Vila Kennedy
Caminho da paz deu certo em SP
A decisão de abrir a escola para a comunidade é comprovadamente bem sucedida. Exemplo disso é a Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Campos Salles, em Higienópolis, área violenta de São Paulo.

Cartinha produzida por um aluno de 7 anos da Vila Kennedy
Cartinha produzida por um aluno de 7 anos da Vila Kennedy
Lá, a mudança também começou com um muro. Mas o então diretor Braz Nogueira foi mais radical. Em vez de reformar, destruiu. Em 2002, derrubou as paredes que separavam a escola da comunidade porque entendeu que elas não protegiam a escola. O que faria aquele um local mais seguro era estar aberto.
A ideia veio quando os 21 computadores da unidade foram roubados antes de serem ligados. Braz, então, gritou para quem quisesse ouvir: “Estão roubando os seus filhos!”. Três dias depois, os equipamentos foram todos devolvidos na comunidade.

A transformação, a partir daí, foi gradual. A comunidade entrou na escola e passou a participar mais. Foi criado um sistema de decisão entre alunos que escolhem prefeitos e vereadores, entre eles, para se representarem. A escola, que registrava cinco brigas por dia, passou a ter tempos de paz.
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