sábado, 15 de julho de 2017

No Rio, nem cachorro escapa das balas perdidas. Aff...

Veterinario Luiz Eduardo Castro cuida do vira-latas que se recupera de um tiro de raspão no pescoço Baldeado na pata, cão chegou à Suípa em janeiro deste ano 
Geraldo Ribeiro
O veterinário Luiz Eduardo Castro, de 38 anos, que há 15 dá expediente na Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suípa), localizada na entrada do Jacarezinho e nas imediações do Complexo de Manguinhos, já se acostumou a uma triste rotina: quando há tiroteio numa das favelas da região seu trabalho vai aumentar. A mesma violência que assusta os humanos no Rio está afetando também os animais. Os dois poodles levados esta semana num arrastão na Rodovia Presidente Dutra com o carro dos donos e depois reencontrados e as aves alvejadas por rajadas não são exemplos isolados. Segundo o profissional, somente este ano, de janeiro a junho, atendeu cerca de 30 casos de bichos feridos por tiros. Uma média de cinco por mês, quando nos dois anos anteriores era um a cada 21 dias. As principais vítimas são cães, mas também há registros de cavalos e até porcos. O que percebemos aqui é um reflexo da violência urbana, que também atinge os animais. É um termômetro da insegurança na cidade, que transforma os bichos também em vítimas — analisa o veterinário.
Segundo o profissional em situações de tiroteio, os cães — que são em grande número nas favelas — costumam ficar estressados e, desorientados, acabam no meio do fogo cruzado. Os feridos acabam sendo levados para a Suípa, pela certeza do atendimento gratuito. A maioria é atigida por projétil de baixo calibre, como pistolas, mas já houve casos de ferimentos por fuzil. Maior parte é das favelas vizinhas, mas alguns vêm de longe, feridos em comunidades como a da Serrinha, em Madureira, e até mesmo de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Do total de atendimentos na Suípa, só um terço entra para a estatística oficial do órgão, porque a maioria dos responsáveis pelos bichos evita qualquer tipo de registro para não se comprometer ou sofrer represália. Alguns chegam a abandonar o animais no local e, após recuperados, são encaminhados para adoção. É o caso de um cão vira-latas, encontrado amarrado à grade da Suípa, há cerca de um mês, ferido de raspão no pescoço. Ainda em recuperação, o animal será rebatizado e encaminhado para adoção. O veterinário acredita que ele tenha sido atingido numa troca de tiros no Jacarezinho ou em Manguinhos
— Muitas vezes o responsável pelo animal não quer aparecer, nem fazer nenhum tipo de registro conosco. Não posso ser omisso, mas também não tenho como exigir documento. Essa é uma realidade com a qual convivemos — afirma o médico, que se orgulha de nunca ter registrado um óbito de animal que chegou baleado.
A vítima da violência urbana mais recente, atendida na Suípa foi um cão atingido, sem gravidade, na pata, há três semanas. Mas os casos de bala perdida não são os únicos recebidos pela equipe da Suípa.
— Já pegamos animais esfaqueados e até violentados sexualmente. Mas, o que mais chama atenção são as vítimas de tiros, por serem em número maior— revela profissional, que conta com ajuda de uma equipe composta por 34 profissionais, além dos 150 funcionários que dão apoio ao atendimento a mais de 5 mil animais abrigados no local, além da demanda diária da população, por outros serviços, como castração.
Entre os casos atendidos pela Suípa de animais vítimas da violência, o mais grave foi registrado há pouco mais de um ano e ganhou as páginas dos jornais e noticiários de TV no Brasil e no exterior. Netinho Coragem, como foi rebatizado o cão vira-latas, foi resgatado em Coelho Neto, no começo de junho do ano passado, depois de ficar no meio de um fogo cruzado e levar cinco tiros (na virilha, no pescoço, na coxa, na axila e no fêmur). Depois de recuperado, o animal foi colocado em adoção e ganhou uma nova família .
Blog Sim Nós Podemos!!!!👉👈?