sexta-feira, 14 de julho de 2017

O brado retumbante. Excelente visão, leiam.

Respeitável público, no picadeiro em que se transformou o país, somos todos palhaços. No espetáculo Collor, os manifestantes que o retiraram da presidência fantasiaram-se com nariz de plástico e caras pintadas. Dilma seguiu o mesmo caminho e atingiu Lula. Falo das pessoas porque os partidos não representam rigorosamente nada, como está demonstrado neste grotesco atual carnaval político.
São palavras ao vento vindas de todos os lados e poderes desperdiçando tempo sem produzir ideias. Os que deveriam ser nossos representantes e defensores negam à nação o direito de defesa. Sim senhora, a briga por podres poderes deixa longe de qualquer prioridade os direitos da população. Com o povo alienado de qualquer participação nos destinos do Brasil, essa interminável novela arrasta-se por meses a fio em um jogo de baralho, com muitas cartas na manga e muitos truques. Parece combinado. Prende-se um, solta-se outro. Para justificar esta viração, o velho jogo de palavras e até escárnio.
Não existe a menor preocupação com a voz das ruas, porque há muito tempo não se fala alto e com direção. Não há liderança, qualquer liderança. Parecem estar todos a favor e contra qualquer coisa, sem que haja a mínima organização popular. Um trem veloz e descarrilhado.
Onde se meteram os estudantes, a juventude que já salvou o Brasil muitas vezes, que faziam política e denunciavam, criavam uma direção e davam um sentido? E lutavam. Todos, hoje, estão enclausurados em um narcisismo perverso entregues a questões pontuais. Cadê a UNE (União Nacional dos Estudantes)? Traidores como Zé Dirceu, Lindbergh Farias e semelhantes desfiguram a luta mais importante, pois, queiram ou não, os estudantes vão de um jeito assumir o país. Atualmente, a classe sofre uma privação de sentidos.
A UNE era respeitada até pelas ditaduras – nomeada o Quarto Poder - e, aliada à Ação Católica e outros institutos de ética, instituiu a mais importante resistência aos golpes contra a democracia. Onde estão os grupos de teatro e os teatros de Arena que serviram e muito para despertar a consciência popular?
Neste exato momento, estamos à beira do caos. Não há saída a não ser que amadureçam as cabeças pensantes da juventude estudantil, da educação básica às universidades. Uma imensa força, a maioria bem pensante, discutindo o Brasil. Ao invés de questões parciais, ver o Brasil como um todo, evitando entregar a pátria inteira para a alta bandidagem. A consciência, muitas vezes, surge quando menos se espera. Aí veremos se um filho teu, brasileiros, não foge à luta.
*O autor é psicanalista, médico e jornalista.
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